A terceira parte da série Criando Mapas Anamórficos com Software Livre se debruçará sobre uma técnica, diga-se de passagem, caseira, de representação de dados usando procedimentos manuais, porém, simples e eficiente ao que se propõe, usando a plataforma QGIS.

Se você não leu os dois primeiros artigos, e deseja acompanhar a série, sugiro clicar nos links abaixo para acessá-los.

Parte 1: ScapeToad

Parte 2: Cartogram Plugin no QGIS

Para que o procedimento logre êxito, faz-se necessário instalar o plugin MMQGIS; que por sinal, é um complemento muito útil, com diversas aplicabilidades e de fácil manuseio.

Para efetuar os procedimentos, instale-o através do menu Complementos.

A técnica mostrada neste artigo fará com que um atributo de população seja representado através de hexágonos ao invés de usar um mapa tradicional com seus limites tradicionais.

Assim, seguirei mostrando o mesmo exemplo dos artigos anteriores, ou seja, a distribuição graduada da população masculina dos municípios do estado de Alagoas.

Com o shapefile devidamente importado para o QGIS,é hora de iniciar os processos.

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Recomendo que a camada esteja em projeção UTM pois, mais adiante será necessário informar o espaçamento dos polígonos que representarão a área em questão.

1. CRIE UMA CAMADA EM GRADE

Para isso, vá até ao menu MMQGIS > Create > Create Grid Layer, clicando nesta função.

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Ao abrir a janela de diálogo, configure os campos da seguinte forma:

[1] No campo Shape Type, selecione o tipo de forma que deseja representar sua área de estudo/trabalho.

As opções disponíveis são: Ladrilho, Retângulo, Hexágono, Ponto, Linha e Pontos Aleatórios. Para este artigo, optei pela forma hexagonal.

[2] No campo Extent, selecione a extensão da camada objeto.

[3] No campo X Spacing, digite o valor que julgar necessário para sua aplicação.Observe que à medida em que vai-se determinando o valor do espaçamento no campo X Spacing, o campo Y Spacing vai atualizando automaticamente.

Se o shapefile estiver na projeção UTM a unidade tratada neste campo deverá ser dada em metros. Caso a projeção esteja em Geográficas, a unidade será em graus.

[4] No campo Output Shapefile, informe o diretório destino onde deverá ser salvo o arquivo anamorfizado.

Faz-se necessário informar o destino. Caso deixe sem informar, o plugin não irá rodar, aparecendo uma notificação de erro.

[5] Clique em OK para executar este primeiro procedimento.

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O resultado deverá se parecer com este.

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2. IMPORTAR ATRIBUTOS DA CAMADA DE ORIGEM

A camada recém-criada carrega consigo apenas as coordenadas referentes aos limites superior, inferior, esquerdo e direito de cada feição.

No entanto, para que a representação espacial se pareça ao máximo possível com silhueta da área de interesse, além de associar os valores de referência pertinentes a população masculina por município.

Para isso, execute a função de unir atributos. Assim, clique no menu Vetor > Gerenciar dados > Unir atributos pela posição.

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Ao abrir a janela de diálogo, configure seguindo os passos seguintes:

[1] No campo Camada vetorial alvo, selecione a camada recém-criada.

[2] No campo Unir camada vetorial, selecione a camada que fornecerá os atributos ao novo shapefile.

[3] No campo Predicado geométrico, marque a caixa de seleção intersecta.

Todas as geometrias da camada alvo herdarão os atributos aos quais se intersectarem com o layer de origem.

[4] É optativo dar um nome e destino de salvar o arquivo. Deixando sem preencher, o novo shapefile será gerado na memória do computador.

[5] Clique em Run para iniciar o processo de união de atributos.

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O resultado deverá se parecer com este.

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Eis a tabela de atributos contendo os campos do shapefile de origem (a partir da 5ª coluna).

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3. GRADUAR OS ATRIBUTOS

Após gerar a nova camada contendo os atributos da camada original, resta apenas graduá-los de acordo com o método que melhor representar seus dados. Para este artigo, optei pelo método de Quebras Naturais (jenks) para o campo referente à população masculina, classificado por uma paleta de cores gradual .

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E o resultado final foi este. O acabamento final fica por conta do gosto pessoal e pode ser gerado o layout para impressão ou divulgação digital.

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Bom, encerro dizendo que há muitas outras possibilidades de gerar mapas anamórficos no QGIS. Este foi apenas um procedimento (o mais simples de se fazer manualmente) dentre vários que escolhi para dar continuidade à série.

Espero que o método, aqui apresentado, sirva de inspiração para alguém que se interesse pelo tema e deseje criar novas técnicas de geração de mapas anamórficos.

Porventura, se este for o seu caso, compartilhe e comente sua criação aqui no site ou na nossa fanpage no Facebook.

No próximo artigo, apresentarei o último artigo da série. Aguarde e confira.